PÓS-ESCRITO: Efeitos deste artigo a curto prazo

1. Recebi uma longa carta de Hugh Hefner dizendo que “a história do exame médico ao qual as garotas se submetiam antes de começar a trabalhar me levaram a eliminá-lo”. (Ele continuava a achar que era “uma boa idéia”, e observou que não era a primeira vez que o exame era “mal-interpretado e transformado em algo duvidoso”.) Ele incluiu também os primeiros quatro mandamentos de sua “Filosofia do Playboy”. Durante grande parte da carta de três páginas, no entanto, ele insistiu em que não se importara nem um pouco com o artigo.

2. Uma ação judicial, por calúnia e difamação, no valor de um milhão de dólares foi movida contra mim e contra um jornalzinho de Nova York, hoje extinto, que comentara meu artigo e o fato de o gerente do clube de Nova York ter sido acusado de manter claras relações com a Máfia. Embora tais alegações não tivessem saído do meu artigo, incluíram-me no processo como forma de me incomodar. Passei muitas horas desagradáveis depondo e sendo ameaçada com punições. Finalmente, o jornal fez um acordo sem me mencionar. Outros jornalistas me contaram que este tipo de ação, com ou sem base na verdade, era uma forma usada com freqüência para desencorajar ou punir jornalistas.

3. Servi de testemunha para a Divisão de Bebidas Alcoólicas do estado de Nova York para identificar as instruções escritas que me foram passadas como Coelhinha para que servissem de prova num processo contra o Playboy Club por ter um alvará de funcionamento como bar público embora se anunciasse na imprensa como clube privé. Isto se relacionava ao fato do Playboy Club ter subornado autoridades para obter o alvará para a venda de bebidas alcoólicas e em seguida ter usado as provas deste suborno contra as mesmas autoridades. A Divisão de Bebidas Alcoólicas do estado de Nova York contra-atacou com o processo do público versus privé no qual eu servi de testemunha. Os advogados me disseram que outras Coelhinhas haviam sido procuradas mas tiveram medo de testemunhar, até mesmo tendo apenas que identificar as instruções escritas nas quais nos instruíam a ressaltar a natureza privada e exclusiva do clube. Eu assistira a tantos julgamentos em filmes nos quais a justiça vencia no final que concordei. Depois do advogado do Playboy Club ter passado um tempo considerável tentando provar que eu era mentirosa, uma mulher de moral duvidosa, comecei a entender por que as outras Coelhinhas haviam se recusado a testemunhar. No final, o Playboy Club manteve o alvará.

4. Muitas semanas de ligações obscenas e ameaçadoras feitas por um homem com grande conhecimento interno do Playboy Club.

5. O súbito desaparecimento de matérias jornalísticas sérias porque eu me tornara uma Coelhinha — o motivo não tinha a menor importância.

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